25/11/2017 / por GLAUCO MALTA

Existem grandes figuras que fazem parte do cenário musical brasileiro e transcendem qualquer ligação que se tente fazer com a temporalidade de sua obra e Alceu Valença é uma dessas figuras, e esta atemporalidade torna-se ainda mais difícil de se medir principalmente quando presenciamos ele em cima do palco, o tempo parece parar tal é o estado de êxtase e euforia que toma conta de todo ambiente.
Alceu Valença está no “Olimpo dos Grandes Deuses da MPB” e sua musicalidade trafega nos mais diversos estilos, seja tocando frevo, baião, xaxado, maracatu, ciranda, embolada, blues; ele é um gênio em estado puro de ebulição.
Apesar da chuva torrencial que caiu em Porto Alegre horas antes do espetáculo um excelente público compareceu ao Araújo Vianna para prestigiar e se encantar com o novo show de Alceu intitulado “Anjo de Fogo”, e realmente foi isso que todos nós “afortunados” pudemos presenciar nesta noite que apesar da chuva lá fora ele colocou fogo no público.
Para vocês que estão lendo este texto podem me achar exagerado ou algo do tipo, mas posso lhes assegurar de que tudo que eu digo aqui é pouco diante do show extraordinário desta noite.
Acompanhando pelos excelentes músicos Paulo Rafael (guitarra), Nando Barreto (baixo), Tovinho (teclados), André Julião (sanfona) e Cássio Cunha (bateria), Alceu passeou por algumas músicas mais recentes como “Anjo de Fogo” de seu mais recente CD e também pelos grandes clássicos de sua carreira como “Belle De Jour”, “Anunciação”, “”Táxi Lunar”, “Como Dois Animais”, “Tropicana” e muitas outras que não deixavam o público parar um só minuto.
A empatia e o impacto da presença de Alceu Valença junto ao público é nítido quando se vê casais saindo de suas cadeiras para dançar no meio dos corredores do Araújo, foi lindo demais poder presenciar um artista que se entrega de forma total para seu público no show.
Que Alceu Valença não demore para retornar, porque a sensação que se tem é de que poderia estar tocando lá até hoje, o que não seria difícil para ele pois repertório ele tem de sobra.